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O Surubim (Pseudoplatystoma corruscans) é um peixe encontrado na Bacia do Rio São Francisco, pertencente à família Pimelodidae e gênero Pseudoplatystoma. Também conhecido como pintado, surubim-capari, brutelo, loango, este peixe se distingue pela sua cabeça grande e achatada com três pares de barbilhões sensoriais próximos às narinas, corpo alongado e roliço de cor acinzentada, com manchas arredondadas pretas como se fossem pintas e dorso branco. Esta espécie carnívora tem preferência por ambiente demersal, ou seja, vive no fundo de rios, lagos e lagoas.

As características organolépticas desta espécie garantiu uma posição de destaque na preferência do consumidor e do mercado. O Surubim tem uma carne branca, de consistência firme, ausência de espinhos intramusculares e sabor agradável. A atividade da pesca esportiva também privilegia esta espécie, que pode alcançar cerca de 190cm e pesar 80kg, entrando na lista dos maiores peixes da  Bacia do Rio São Francisco.

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O rio São Francisco tem 2.700 km de extensão e nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, atravessando grande parte do semiárido nordestino, chegando ao oceano Atlântico entre Alagoas e Sergipe. Em suas águas foram identificadas mais de 150 espécies de peixes nativos e, historicamente, foi uma das principais fontes brasileiras de pescado, fornecendo peixes aos mercados do Nordeste e do Sudeste do Brasil.

A passagem deste do rio pelo semiárido baiano firmou e permitiu o desenvolvimento das comunidades tradicionais ao longo do seu trajeto e suas águas representam uma importante fonte de alimento e renda para muitas famílias do território Sertão do São Francisco (TSSF), localizado no extremo norte da Bahia. Nos municípios como Remanso, Sobradinho, Sento Sé e Casa Nova, comunidades ribeirinhas, pescadores e pescadoras, se organizam através de associações, colônias ou cooperativas, para fortalecer a pesca artesanal e as espécies nativas na região. Esta atividade, tradicionalmente hereditária, mantém viva o patrimônio material e imaterial desta população, que usam pequenos barcos de madeira a motor, utensílios e técnicas tradicionais como a rede, a tarrafa e a linha, e muitos ainda se baseiam no calendário da lua para definir o melhor período da pesca.

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O “Peixe rei” como é chamado pelas comunidades nesta região, se tornou cada vez mais raro nas águas do TSSF. Hoje, quem leva o nome de rei é justamente quem consegue pescar um exemplar que, historicamente, chegou a ser capturado pesando 60kg. Atualmente, quando encontrado, não passa de 20 kg.

O estoque do pesqueiro “Velho Chico”, nome carinhoso dado pelos sertanejos ao rio, está em declínio, devido ao aumento da pressão da captura e da pesca predatória, que muitas vezes não respeitam o período de defeso, interferindo drasticamente no processo cíclico de reprodução dos peixes. Outros fatores que vem gerando impactos negativos sobre a ictiofauna do rio São Francisco são o desmatamento da mata ciliar, o assoreamento no leito do rio, a introdução de espécies exógenas como  tilápias, tucunaré, tambaqui e a ocupação das lagoas marginais para irrigação, colocando várias espécies em risco de extinção, a exemplo do Surubim.

Hoje, na tradicional Praça do Peixe em Petrolina (PE), a 700m da margem do Rio São Francisco, espécies amazônicas do Pará ou peixes oriundos da criação em tanques estão entre as mais comercializadas, devido à falta de peixes locais.

Conservar o peixe Surubim significa não só garantir o fornecimento de alimento para a população, mais também o equilíbrio do ecossistema, a diversidade das espécies nativas e a valorização de uma atividade que não gera impactos negativos ao rio São Francisco: a pesca artesanal.

Embarcar o “Peixe rei” na Arca do Gosto significa preservar a biodiversidade local, valorizar as praticas, saberes das comunidades ribeirinhas e pescadores artesanais e transformar o Surubim um orgulho para as comunidades de alimento.

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