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Nomes populares: “manduri”, “papa-terra”, “uruçu-mirim” ou “rajada”.

A Melípona asilvai é uma abelha sem ferrão que habita naturalmente na região semiárida do Brasil, considerada endêmica deste ecossistema.

A abelha munduri tem registro de ocorrência em Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. No semiárido baiano, a espécie vegetal mais procurada por esta abelha para a construção de suas colônias é a umburana ou imburana (Amburana cearensis). Seu mel suave e perfumado imprime as características das plantas da Caatinga que ela visita, como velame (Croton sp.1), algaroba (Prosopis juliflora), aroeira (Myracrodruon sp.), beldoegra (Portulaca sp.), cassutinga (Crotonsp.2) e malva (Sidasp.), reforçando a necessidade de preservação desse ecossistema.

Caracterizada pela população rural como uma abelha “sestrosa” (animal “manhoso”), esta abelha apresenta comportamento tímido, escondendo-se quando molestada, chegando a dar a impressão de que a colônia esta abandonada. A entrada da colônia é típica da espécie, formada por um orifício que permite a passagem de apenas uma campeira por vez, envolto por uma estrutura composta por raios concêntricos, construída com barro.

Atualmente a criação da abelha munduri é feita de maneira rústica e espontânea e o mel utilizado para o consumo familiar. Apesar desta espécie ser conhecida pelos sertanejos, existe pouco interesse em sua a criação, por considerarem a produtividade de mel da munduri pequena, o que não corresponde à realidade. Quando criada na sua região de origem, em caixas racionais e em épocas de boa florada, a produtividade de mel pode alcançar 1,5 litros/caixa/ano.

Normalmente o período de produção de mel das abelhas da Caatinga se inicia logo após as primeiras chuvas, quando aparecem as plantas anuais e rasteiras e pode se prolongar até o final das chuvas, quando florescem as árvores da Caatinga. Não existe uma época definida para a realização da colheita do mel, que acontece manualmente, pois se consideram as condições climáticas locais e o desenvolvimento das colônias, indicadores que favorecem o bem estar animal.

O fraco interesse por esta espécie se reflete em pouca preocupação pela sua permanência na região, o que fragiliza a espécie, que tem sido alvo de ações extrativistas por parte dos “meleiros” além das atividades antrópicas, comprometendo a redução dos locais de nidificação e a disponibilidade dos recursos naturais, fonte de alimento para as abelhas.

Preservar a abelha munduri, não garante somente o acesso ao seu saboroso mel mais significa manter o equilíbrio do ecossistema e a diversidade da alimentação do ser humano, tendo em vista que este pequeno animal faz um grande trabalho: é responsável pela polinização de muitas espécies vegetais nos biomas brasileiros.

Embarcar o mel da abelha Melípona asilvai na Arca do Gosto significa preservar a biodiversidade local, valorizar as praticas, saberes da população rural e transformar o mel desta abelha um orgulho para as Comunidades do Alimento do semiárido baiano.

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