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Jatai Caixa racionalFoto: Revecca Tapie

Nome científico: Tetragonisca angustula
Nomes populares: abelha-ouro, abelha-mirim, mosquitinha-verdadeira, sete portas, mosquitinho, jaty, jataí-amarela, Maria seca, abelha de botas e mosquito-amarelo.

A Tetragonisca angustula é uma pequena abelha brasileira, que mede aproximadamente 5mm, de cor amarela-ouro, com salientes corbículas (ou cestas de pólen) em suas pernas traseiras. A morfologia da entrada do ninho é uma característica da espécie: um tubo de cera ou cerume, com pequenos orifícios em seu comprimento e abertura que permite a passagem de várias abelhas ao mesmo tempo. À noite, esta entrada é fechada, como forma de proteção do ninho. A abelha Jataí tem registro de ocorrência nas cinco regiões do Brasil. Na região Nordeste, encontra-se nos estados da Bahia, Maranhão, Ceará, Paraíba e Pernambuco. Esta espécie se diferencia das outras abelhas melíponas pela sua capacidade de nidificação e sobrevivência em espaço urbano, o que influencia positivamente ao sucesso evolutivo da espécie, face às ameaças que as mesmas vêm vivendo, no espaço rural.  

Historicamente, a primeira população a manejar as abelhas nativas foram os índios, adquirindo uma vasta experiência que foi transmitida inicialmente para os caboclos, ribeirinhos e logo difundida para as populações rurais. Tradicionalmente, no Nordeste do Brasil, o mel das abelhas nativas era usado principalmente como remédio. No semiárido baiano, as comunidades rurais co
nsideram que o uso do mel da abelha jataí, tem efeito antiflamatório, sendo indicada principalmente para a cura de inflamação nos olhos, bronquite, tosse, cicatrizante, entre outros usos de preparos tradicionais. Apesar do seu delicioso sabor e aroma que expressa singularidade da Caatinga, o mel silvestre da abelha jataí é pouco consumido como alimento pelos sertanejos. Isso se justifica pelo costume local de usá-lo como remédio e também pela quantidade produzida anualmente pelas abelhas nativas. No território do Piemonte da Diamantina, Bahia, quando criada racionalmente e havendo uma boa florada, a abelha jataí pode produzir entre 1 a 1,5 litros de mel/caixa/ano. A colheita é realizada uma vez por ano nesta região e não existe definição de uma época certa, pois essa atividade é regida pelas condições climáticas locais e desenvolvimento das colônias. O período se inicia logo após as primeiras chuvas, quando aparecem as plantas anuais e rasteiras da Caatinga.

Tetragonisca angustula

Foto: Rogério Alves/INSECTA.URFB

A abelha mosquitinho, como é conhecida localmente, tem preferência pelas flores pequenas e rasteiras. O seu ninho pode ser facilmente localizado na natureza, pois são construídos em locais de fácil visualização e acesso, tornando a espécie vulnerável face às ações extrativistas por parte dos “meleiros”. As queimadas, os desmatamentos, as mudanças climáticas e o uso desordenado de agrotóxico vêm representando uma forte redução de colônias da jataí na região.

Preservar a abelha jataí, não garante somente o acesso ao seu saboroso mel, mais significa manter o equilíbrio do ecossistema e a diversidade da alimentação do ser humano, tendo em vista que este pequeno animal faz um grande trabalho: é responsável pela polinização de muitas espécies vegetais nos biomas do Brasil.

Embarcar o mel da abelha jataí na Arca do Gosto significa preservar a biodiversidade local, valorizar as praticas, saberes das comunidades indígenas e povos tradicionais e transformar o mel da abelha jataí um orgulho para as Comunidades do Alimento.

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